O visual retrô exibido em vários modelos de geladeiras nos ambientes criados para o BGourmet é facilmente reconhecível. As formas ao mesmo tempo arrojadas e funcionais, as bordas arredondadas. Parece difícil acreditar que um padrão tão consagrado pelo tempo e pelo uso tenha um único pai. Pois sim: o desenhista industrial Raymond Loewy.
Raymond foi um desses homens de vida tão criativa quanto o corpo de sua obra. Tudo nele foi ímpeto e realização: nasceu em 1893 na França, lutou na primeira grande guerra já com o apurado senso estético que fez dele um crítico dos uniformes do exército francês. O que não impediu que voltasse de lá condecorado – e na seqüência migrar para fazer a América.
Começou fazendo ilustrações para revistas de moda, mas isso era pouco para quem queria modernizar o mundo. Seu primeiro grande lance foi quando se ofereceu para projetar as novas locomotivas da Pennsylvania Railroads, desenvolvendo as linhas aerodinâmicas que diminuiam a resistência do ar e que resultaram no design do trem-bala. Revolucionou também o transporte particular quando desenhou automóveis para a Studebaker tão bonitos quanto funcionais (sempre sua marca registrada).
Ele criou logotipos famosíssimos – procurar seu nome na busca de imagens no Google é esbarrar com marcas consagradas que as empresas não ousam repaginar. Era adorado pelo departamento de vendas das empresas com que trabalhou: mostrou ao mundo que a beleza pode ser uma unidade de negócios. Rabiscou desde batedeiras de bolo até satélites para a Nasa.
O modelo de geladeira que o consagrou em cozinhas em todo mundo foi a reformulação de um protótipo obsoleto chamado Coldspot, que mais parecia um armário e apresentava vários problemas operacionais – que Loewy também ajudou a resolver. Era um especialista em usabilidade: inventou todos os conceitos que atravessaram o tempo até os refrigeradores modernos, da maçaneta às gavetas internas.
Raymond Loewy morreu aos noventa e três anos, só se recusando a atender um cliente: a indústria bélica.


















